Descoberta, Povoamento e Desenvolvimento da Ilha de São Vicente 

 

A Ilha De São Vicente foi descoberta no dia 22 de Janeiro de 1462, por um Escudeiro do Infante D. Fernando, de nome DIOGO AFONSO. Em 1781, por Determinação Régia, foi mandada povoar a Ilha de São Vicente, mas nada se consegui e, por Carta Régia de 22/7/1795, foi nomeado João Carlos da Fonseca Rosado, natural de Tavira - Portugal e comerciante na Ilha do Fogo, para vir povoar a Ilha.

Em 1795, o então Governador de Cabo Verde, José da Silva Maldonado D´Eça, foi encarregado por sua Majestade de comunicar ao referido Comerciante, para se aprontar a fim de vir fazer o povoamento da Ilha de São Vicente. Simultaneamente, reuniria 20 casais das outras ilhas e seus escravos a fim de juntarem com o grupo para o arranque da histórica expedição. Seria dado o posto de Capitão-Mor a João Carlos da Fonseca Rosado e a "concessão de todos os privilégios, isenção de direitos, impostos", extensivo aos 20 casais pelo espaço de 10 anos. O mesmo Governador faria a distribuição de 58 barracas de campanha, para se instalarem, armas e munições para se defenderem dos ataques do piratas que invadiam e saqueavam frequentemente as Ilhas. Os povoadores se instalaram num local á beira mar, em frente a Baía do Porto Grande ao qual deram o nome de Aldeia de Nossa Senhora da Luz.

 

 

O Capitão-Mór João Carlos da Fonseca Rosado, lançou-se ao desbravamento da Ilha com tamanha soma de despesas superiores ás suas possibilidades, que ficou anos depois na miséria. Conseguiu apenas que se mudasse o nome da Aldeia para D. Rodrigo, que mais tarde veio a chamar-se de Vila Leopoldina, em homenagem à nora de JOÃO VI, a Princesa que foi Mulher de D. Pedro, sendo depois Imperador do Brasil.

Entretanto, outros povoadores sucederam-se a João Carlos, e deste modo, criou-se condições de habitabilidade na zona urbana, iniciando-se o seu desenvolvimento social, econômico, cultural e urbanístico.

 

 

Em 1838, por Decreto Régio, foi determinado que a nova povoação que se levanta-se em S.Vicente tivesses o nome de Mindelo, quando pelo aumento da população e circunstancias o merecer. A partir dessa data, que os ingleses começaram a instalar os seus depósitos de carvão de pedra e devido ao movimento que o Porto passou a ter, atraiu muita gente das vizinhas ilhas do pais, especialmente as de S. Nicolau, Santo Antão e Boavista.

Começou assim, uma nova época para a Povoação de Nossa Senhora da Luz. Formou-se uma população nova e pelo contato permanente com os estrangeiros, a população adquiriu hábitos europeus e um nível social bastante elevado em relação aos habitantes das outras ilhas. Devido á importância  e situação geográfica privilegiada da Ilha de São Vicente, a partir de 1838, barcos de várias nacionalidades escalavam o Porto Grande, vindo fornecer carvão de pedra, fazer carregamentos de urzela, peles e lastro.

 

 

A partir de 1850, variadíssimas construções foram realizadas (Fortim d´El Rei, Cais Sul, Quartel militar, etc) e em junho de 1874, para coroar o progresso da Ilha veio o Telégrafo-Cabo Submarino veio unir Cabo Verde com a Ilha de Madeira, Portugal, Pernambuco e todo o Mundo conhecido. Novamente, devido ao seu aumento populacional e desenvolvimento social, econômico e urbanístico, em 14 de Abril de 1879, por Decreto Régio fora elevada à categoria da CIDADE DO MINDELO - S. VICENTE DE CABO VERDE.

Em 1879, havia em São Vicente, 1 Praça, 5 Largos, 27 Ruas, 11 Travessas, 1 Beco e 2 Pátios. Havia 3.497 habitantes, sendo 86 ingleses, 14 italianos, 6 marroquinos, 5 belgas, 2 americanos, 1 russo, além de muitos portugueses, açorianos e madeirenses.

 

 Fonte: Livro Mindelo D´Outrora, de Manuel Nascimento Ramos, Edição de Outubro de 2003, Mindelo - São Vicente