O local onde está instalado hoje o Cinema Eden Park, noutros tempos, foi um jardim muito bonito, denominado Jardim D. Angélica, em homenagem á esposa do Governador Serpa Pinto, que era uma Senhora muito bondosa e popular.

Anteriormente, no local onde está hoje o Hospital Baptista de Sousa, funcionava um antigo Telégrafo Inglês e muito antes, existia no local uma grande propriedade toda murada denominada Fonte Nova, que pertencia aos avós do Dr. Aurélio Gonçalves. Nessa propriedade havia uma casa, poços com água potável e uma horta que produzia muita hortaliça e frutas variadas.

No local onde está a Praça Estrela (Praça da Independência) noutros tempos era um antigo campo de Futebol denominado Salina e onde se praticava atletismo e outras modalidades desportivas como, cricket, corridas de velocidade, saltos à vara e em altura, lançamento do dardo e do disco. Era ali também, que se fazia as grandes paradas militares e exibições do SOCKOL.

Antigo Campo de Futebol Salina

Atual Praça Estrela

Exibição de SOCKOLS

O SOCKOL ou Falcões foi uma instituição particular de caráter para-militar, não obrigatória, filiado na SOCKOL da Checoslováquia e que deu grande contributo na formação sócio-cultural da juventude de Cabo Verde de 1932 a 1939. Tinha delegações em todas as ilhas de Cabo Verde, onde aprendia-se a marchar, manejar uma arma, noções de telegrafia, vela e naútica e vários estilos de ginástica, comportamento cívico e deveres de um cidadão. O quartel do SOCKOL era onde estava instalada a antiga Esquadra Policial da POP, ao lado do Mercado de Peixe. Contudo, com a criação da antiga Mocidade Portuguesa, instituída pelo Governo de Salazar, o SOCKOL deixou de existir.

No século passado, existia uma praça publica denominada Praça Dom Luís.....

 

No edifício onde funciona o Centro Nacional de Artesanato e Design e onde esteve instalada a Rádio Voz de S. Vicente, noutros tempos foi o primeiro Liceu de Cabo Verde e o mais antigo das ex-Colónias Portuguesas. Anteriormente, ali era a residência do antigo Senador Augusto Vera-Cruz, que num gesto altruísta, resolveu ceder a sua residencia para ser o 1º Liceu da Ilha aberto em 1917, já que, o Governo Português não disponha de verba para a construção do mesmo. Mais tarde, o Liceu de nome "Infante D. Henrique" foi transferido para edifico próprio, onde está hoje o Liceu Gil Eanes (antigo Liceu Jorge Barbosa).

Senador Augusto Vera-Cruz

Antiga casa do Senador Augusto Vera-Cruz

Atual Centro do Artesanato e Design

 

Nhô Felipe, era um Senhor natural da ilha de Santiago que veio para S.Vicente fazer negócios. Tomou gosto pela ilha e resolveu ficar, arranjou uma companheira e adquiriu um terreno, onde construiu a sua casa, um horta e abriu um poço. Nhô Felipe vendia água e muita hortaliça e as pessoas da cidade iam lavar as suas roupas nesse local. O casal teve uma filha chamada Lourença, que herdou a propriedade passando a se chamar, Fonte de Nhâ Lourença e a aldeia à volta Fonte Felipe, por ter sido Nhô Felipe o primeiro a viver naquela localidade.

Fonte Francês, noutros tempos, era uma rica propriedade onde residia o Cônsul Francês, Monsieur Marion Cien. A propriedade era toda murada à volta, onde tinha uma casa, um campo de ténis, poços com água potável e um horta que produzia hortaliças e árvores frutíferas como tamareiras, coqueiros, etc. Mais tarde, por motivos desconhecidos o Cônsul retirou-se definitivamente da Ilha de São Vicente, ficando a propriedade ao cargo do Sr. Augusto Ferro (Tarrafal de Monte Trigo - Santo Antão).

No Mercado Municipal, antigamente havia uma pequena horta, toda murada à volta e com um poço de água doce, que pertenciam ao Padre Sebastião, pai de Nhâ Izabel Chamênt de Rua d´Côco. Mais tarde, a propriedade foi adquirida pelo Governo e transformada numa espécie de praça pública, de nome "Largo do Albuquerque". Em 1874, fez-se o lançamento da primeira pedra para a construção do então Mercado Municipal. Nessa época era Governador Geral de Cabo Verde, o Sr. Catetano Alexandre d´Almeida e Albuquerque.

Antigamente na Ribeira Bote, havia um mini estaleiro, onde eram construídos barcos de madeira que faziam ligações entre as ilhas de Cabo Verde, bem como botes e escalares de todos os tipos e tamanhos que serviam também as outras ilhas. Os mestres carpinteiros de construção naval eram hábeis, competentes e bastante conhecedores dessa atividade. Daí, o povo passou a chamar ao sítio "Ribeira Bote".

 

Fonte: Livro Mindelo D´Outrora, de Manuel Nascimento Ramos, Edição de Outubro de 2003, Mindelo - São Vicente