O mar está presente na nossa história, nas nossas tradições, nossa cultura e identidade. Apresentado nas obras dos nossos poetas como Jorge Barbosa, o mar ganhou novos espaços, contornos e limites, tornou-se um componente decisivo da geografia e económica do país.

O mar é, ao mesmo tempo, espaço privilegiado de turismo e lazer, local de trabalho para milhares de caboverdianos e um ambiente ocupado por instituições e empresas que divulgam uma Nação que investe na pesquisa científica aplicada ao mar, na inovação e no desenvolvimento tecnológico. Como todo espaço geográfico novo, o mar se concretiza pelo reconhecimento de suas fronteiras e de sua importância para a manutenção de nossa autonomia política e económica. Essa história remonta às grandes navegações.

O governo de Cabo Verde pretende explorar o potencial da ilha de São Vicente numa perspetiva estratégica de economia Mundial, tornando-a numa alavanca para a transformação e desenvolvimento de Cabo Verde, e um impulso para o melhoramento integrado das ilhas, promovendo deste modo, o crescimento económico, o aumento do emprego e a redução da pobreza.

Planear as perspetivas de desenvolvimento da ilha de São Vicente, transformando-a numa ilha moderna ao serviço da economia marítima é, pois, uma das tarefas fundamentais.

Mindelo irá receber a primeira paragem de sempre da Regata “The Ocean Race” 2021-22, na África Ocidental, sendo o segundo país africano a cometer tal proeza, nesta que é conhecida uma das provas mais duras por equipas neste tipo de desporto. A Baía do Porto Grande uma das mais belas do Mundo foi escolhida para a prática deste evento náutico que envolve participantes da prova VO65 e IMOCA 60.

Cabo Verde está muito radiante por ser escolhido para sediar uma das paragem na edição 2021-22 da corrida oceânica e está profundamente honrado em ser o primeiro participante entre as nações da África Ocidental e estamos muito ansiosos para acolher as equipas e os seus muitos fãs na nossa ilha.

Mindelo (Cabo Verde) junta-se assim, à Haia (Holanda) e Aarhus (Dinamarca), mais o porto de partida da regata Alicante (Espanha), como destinos confirmados na edição de 2021-2022.

A escolha de São Vicente para receber a regata “The Ocean Race” 2021/22” é uma oportunidade estratégica de poder posicionar Cabo Verde enquanto um destino turístico de alto nível.

O evento procura pontos estratégicos e Cabo Verde está estrategicamente bem situado, e acredito que a escolha deve-se a sua posição geográfica, granjeando cada vez mais respeito, e tem recebido vários eventos de envergadura mundial.

A escolha prende-se também com o facto de Cabo Verde ser considerado hoje um país “sério, estável, seguro, conhecido mundialmente” a nível cultural, e eleito como “destino privilegiado” na África Ocidental no sector do turismo.

A existência na cidade de uma oferta cultural alargada e diversificada de eventos, com programação que procure chegar a diversos públicos, contribui decisivamente para a dinâmica economica. A identidade cultural de uma cidade e o seu dinamismo está em larga medida dependente do caráter alargado e diversificado da oferta e do tipo de públicos que consegue atrair e fidelizar.

A arte e a cultura são fatores fundamentais para a qualidade de vida, quer no plano individual, quer no plano coletivo. A capacidade desta cidade gerar em permanência eventos diversificados - destinados não só à população residente, mas também à sua população utilizadora/consumidora - constitui uma dimensão chave do dinamismo cultural. Representando um importante fator de atratividade e de afirmação local, esta capacidade contribui para a projeção da imagem externa da cidade.

A prática e a agenda cultural da Autarquia faz parte integrante - e é mesmo um dos seus instrumentos cruciais - de uma estratégia programada e de uma política mais vasta e coerente em que a aposta numa política cultural qualificada e continuada é, assumida com responsabilidade.

No pressuposto de que a Cultura e o desporto deverão ser entendidas cada vez mais como setores prioritário na definição de estratégias de desenvolvimento de qualquer região, a Câmara Municipal de S. Vicente prosseguirá com as principais linhas de atuação e iniciativas culturais e desportivas alicerçadas nos últimos anos.

A “Ocean Race” é o evento desportivo profissional mais longo e mais difícil do mundo, o desafio mais difícil da equipa de vela e um dos três grandes eventos mundiais do desporto, além dos Jogos Olímpicos e da Copa de Futebol.

São 126 dias de corrida, distribuídos em 11 etapas. “Um total de 2,5 milhões de pessoas visitaram as comunidades de Corrida durante o evento 2017-18, experimentando em primeira mão a ação. Milhões de pessoas seguiram o movimento em plataformas digitais, televisão e através dos noticiários, à medida que a corrida estabelecia novos marcos para a cobertura internacional”.

Duas classes competirão na edição 2021-22 da corrida com a adição da classe IMOCA 60 de alta tecnologia, adicionando design e elemento técnico. A frota VO65 de design único competirá na sua terceira volta do planeta em 2021, com ênfase na competição, na juventude e na diversidade de tripulantes.

Privilegiado pela localização geográfica, Cabo Verde tem uma forte tradição marítima e também mostra grande interesse e progresso em iniciativas de sustentabilidade, o que a torna uma opção natural para a Ocean Race.

A frota da Ocean Race de barcos VO65 e IMOCA 60 terão como base Porto Grande, em Mindelo. Uma excelente oportunidade para mostrar o que de melhor temos a oferecer e é um grande salto para a nossa economia marítima.

Este é um evento que deve honrar os cabo-verdianos e Cabo Verde ainda mais por ser o primeiro país da África Ocidental a receber este grande evento Mundial. 

Apenas 8 cidades em todo o mundo terão este privilégio e Mindelo será uma dessas cidades. O que demonstra, uma vez mais, a grande dimensão da ilha de São Vicente.  A aposta na economia do mar que o atual Governo tem vindo a fazer ganha aqui uma dimensão mundial, mas também uma enorme oportunidade e responsabilidade nacional.

 A Ocean Race é uma oportunidade para a economia local e para o desenvolvimento do País, pois vai trazer consigo um grande número de pessoas que chegam antes e partem depois da regata. É uma oportunidade de promover Cabo Verde como um país moderno, atrativo, com capacidade organizativa e empenhado no desenvolvimento sustentável. Milhares de pessoas que seguem este grande evento mundial, passarão a conhecer a cultura, as tradições e a Morabeza dos Mindelenses.

E com a essência desta ilha e a vibração contagiante do povo Mindelense, certamente que ninguém ficará indiferente a Cabo Verde.

São 263 dias do evento, desde a abertura até a noite de premiação no porto final.

• 126 dias de regata • 12 cidades de recebimento

Em 2017/2018 as partes interessadas na corrida, as cidades que receberam e as equipas, foram fundamentais para o sucesso do plano de sustentabilidade, e a poderosa mensagem sobre o plástico que afeta nossos mares influenciou as mudanças nos modelos de negócios e nas políticas de governos como resultado direto da corrida. (Os parceiros de corrida, incluindo Volvo Cars e Musto, estavam entre os que anunciaram mudanças em suas operações comerciais durante a edição 2017-18).

Hoje temos a consciência que o estado das condições ambientais influencia fortemente a qualidade de vida e a saúde das populações, bem como a sustentabilidade do próprio processo de desenvolvimento local.

Ao longo das últimas décadas as áreas urbanas, enquanto espaços privilegiados de concentração de pessoas e de atividades, foram sofrendo pressões acrescidas nos seus recursos e no equilíbrio dos seus ecossistemas. Atualmente, as cidades deparam-se com várias ameaças que se encontram claramente identificadas.

A complexidade dos problemas ambientais e o facto de muitos dos seus efeitos se encontrarem relacionados entre si - assim como as respetivas causas - torna particularmente exigente a sua resolução. A esta dificuldade acresce ainda o facto de muitas das medidas que em geral são delineadas se encontrarem orientadas para a prossecução de objetivos territoriais/setoriais, gerando não raras vezes conflitos entre si. Tais constatações explicam em larga medida aquela que parece ser uma consciencialização cada vez maior para o facto de a gestão e as políticas do ambiente urbano terem que assumir uma lógica abrangente e integrada.

O Município de São Vicente tem atribuído atenção especial a requalificação urbana e a valorização do território por constituírem um dos pilares estratégicos para a dinamização do turismo que se quer marcado pela diversidade, qualidade e sustentabilidade, com enfoque peculiar na atração de investimentos e eventos   nacionais e internacionais ligados a indústria turística, com capacidade para produzir efeitos multiplicadores na economia local e Nacional.

A crescente procura de S. Vicente como destino turístico e de lazer resulta, por um lado, da promoção de diversificados eventos, de grande visibilidade mediática, que reforçam e projetam a ilha, muito além dos mercados tradicionais.

A mostrar a vitalidade e a confiança que o mercado coloca no desenvolvimento da atividade turística em S. Vicente temos o fortíssimo investimento que vem sendo realizado em empreendimentos hoteleiros, que não só tem contribuído para reforçar a oferta neste setor, como também tem dado um contributo, muito significativo, na recuperação do património imobiliário de grande interesse para cidade.

“Soncent” é hoje uma marca e um conceito que conquistou a Cidade e lhe emprestou um dinamismo intrínseco. A resposta do público e o crescente papel que a iniciativa privada tem vindo a ter na sustentação deste movimento são fortes indícios de sucessos da estratégia definida.

O impacto positivo na notoriedade e visibilidade nacionais e internacionais da marca “Soncent”, de eventos como o Carnaval, Festival da Baía das Gatas, Kavala Fresk Festival, Mindel Summer Jazz, o Reveion, ou a exposição de arte pública, entre outros relevam a sua contribuição para o incremento da performance económica da cidade.

Augusto Neves