São Vicente vai ter uma Academia Profissionalizante de Música, que funcionará como um Conservatório, e que oferecerá cursos profissionalizantes a profissionais da área e pessoas que queiram aprender música para concorrer a licenciaturas reconhecidas no exterior.

As linhas orientadoras deste projecto foram traçadas pelos músicos Buga Lopes e Vânia Couto, da Associação Tempos Brilhantes, de Portugal, os quais estiveram em São Vicente, durante 20 dias, a ministrar workshops, a desenvolver actividades com músicos, grupos corais e associações de música local e a estudar as possibilidades de implementar a Academia Profissionalizante de Música.

Segundo Buga Lopes esta ideia de criar o projecto partiu do presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Augusto Neves, que formalizou o convite à Associação Tempos Brilhantes.

“Como é óbvio, este projecto ainda está numa fase embrionária e nós temos estado aqui em contacto com toda a cultura local exactamente para poder avaliar a necessidade e a abertura que existe da parte da cidade e da comunidade para poder implementar este projecto,” avançou o músico.

Conforme a mesma fonte, a ser criada, além de ser a primeira Academia Profissionalizante de Música de Cabo Verde, pretendem trabalhar na área da música contemporânea, que irá fundir a música tradicional cabo-verdiana com a educação formal que se faz na área do jazz, de modo a criar um curso e um programa curricular capazes de dar uma carteira profissional a quem frequentasse o curso nessa academia.

Com esta carteira profissional, ajuntou Buga Lopes, será “muito mais fácil” para a pessoa encontrar oportunidades no seu futuro, como artista, como músico de estúdio e como professor, e também porque se abre uma porta para uma faculdade na Europa.

Isto porque, acrescentou, para entrar numa faculdade de música o aluno precisa de uma “preparação adequada” para passar no exame, ou seja, reforçou,” precisa de uma base teórica, de uma base prática e de uma base de experiência que a academia poderá oferecer,” adiantou o músico.

Vânia Couto, por seu lado, confirmou que a perspectiva é ter um corpo docente misto, ou seja, metade dos professores serão cabo-verdianos e a outra metade serão estrangeiros, de forma a criar a própria metodologia da academia.

“Nós nunca viremos para cá fazer uma coisa à nossa maneira, vamos fazer uma coisa à maneira cabo-verdiana trazendo o conhecimento euro-americano, que é o que falta aqui,” explicou Vânia Couto, que depois de partilhar palco com músicos em São Vicente afirmou que passou a ter “um respeito ainda maior pela música cabo-verdiana.”

Para a cantora, outro reconhecimento que esta escola pode trazer é atrair pessoas do estrangeiro para estudar e aprender a música de Cabo Verde. Além disso, ressalvou, a ideia é ter um arquivo na Academia Profissionalizante de Música que faz o trabalho de recolha e resgate de músicas tradicionais cabo-verdianas, com vídeo e com gravação, cujas letras modificaram-se com o tempo.

“Queremos ter na academia um Songbook (livro impresso com partituras instrumentais) para a música tradicional cabo-verdiana, em especial a morna que é candidata à Património Cultural e Imaterial da Humanidade”, adiantou, Vânia Couto, que defende que faz todo o sentido dar este reconhecimento â morna.

Referindo-se à forma como foram tratados em São Vicente, Buga Lopes afirmou que um povo “tão quente e carinhoso” merece este projecto, porque se trata de um ideia que vai “enriquecer a cultura cabo-verdiana” que “já é riquíssima”, salvaguardou o músico.

FONTE: INFORPRESS